domingo, 30 de outubro de 2016

Faço o melhor negócio


— Boa tarde, eu quero brownie.
— Claro, quantos vai levar?
— Eu quero todos.
— De qual sabor?
— De todos os sabores.
— Mas isso dá mais de cem brownies.
— Tudo bem, quanto é?
— Você vai dar uma festa?
— Vou sim.
— Sinto muito, mas não posso vender tudo.
— Por que não?
— Preciso deles no quiosque. 
— Precisa pra quê?
— Para o pessoal aqui do bairro. 
— O pessoal do bairro também vai comprar tudo?
— Com certeza, eles adoram este brownie.
— Eu pago à vista.
— Não posso, sinto muito.
— Quero falar com seu patrão.
— O patrão não pode atender, viajou.
— E deixou o quiosque na sua mão. 
— Isso, eu vendo brownie direto aqui.
— Não tem gerente?
— Sou eu mesmo.
— Rapaz, eu disse que compro o seu estoque.
— Você pode encomendar se quiser.
— Eu preciso deles pra hoje.
— Pra hoje não dá, cem brownies é muita coisa.
— Onde você aprendeu a ser vendedor?
— Aprendi na prática mesmo.
— E aprendeu direitinho.
— Sei tudo deste brownie, da receita do produto à embalagem.
— E não quer me vender os brownies?
— Sinto muito, o estoque não está à venda.
— Deve ser bom esse brownie.
— Nunca provou?
— Nunca, mas me recomendaram.
— Quer um? Experimenta o tradicional.
— Este aqui tem nutella? Dá este.
— Leva o tradicional também, faço desconto nos dois.
— Negócio fechado.
— Tá vendo? Cliente meu não fica insatisfeito.

Publicada na RUBEM - Revista da crônica. Leia esta e outras crônicas em www.rubem.wordpress.com   

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