sábado, 11 de junho de 2016

Kibe ou esfirra?

— Amor, quero comer um kibe.
— Oba, vamos! Eu quero esfirra.
— Pensando bem, também quero esfirra.
— Ah, não! Você disse kibe, agora vai comer kibe.
— Que história é essa?
— Para de me imitar!
— Eu não estou te imitando. 
— Não tem nada de mais em comer kibe.
— Eu também acho, mas não posso comer esfirra?
— Não, não pode.
— Por quê?
— Ai, meu Deus, a gente não precisa ser casal até nisso.
— Mas não é questão de ser casal...
— É sim, outro dia eu queria comer lasanha, você também.
— Mas eu gosto de lasanha.
— E o milk shake? Você pede sempre o de morango.
— Mas é o meu preferido.
— E chope, você prefere chope preto?
— Sim, chope preto, eu juro.
— Cor?
— Azul.
— Calça ou camisa?
— Calça.
— Batata?
— Essa é mole: assada.
— Filme?
— Guerra nas estrelas: o retorno do jedi.
— Um clássico.
— Como não gostar?
— Signo?
— O meu é Câncer, mas eu gosto mais de Gêmeos.
— O meu signo.
— Curto muito a dualidade de Gêmeos.
— Dia da semana?
— Quinta-feira.
— Assim não dá, acho que você está confundindo as coisas.
— Como assim, amor?
— É o seguinte: você é você, eu sou eu. Entendeu?
— Claro que entendi.
— Vamos tentar respeitar o espaço de cada um daqui pra frente.
— Sem dúvida.
— Sério mesmo? Você consegue?
— Cem por cento. 
— Então você vai comer kibe, eu vou comer esfirra.
— Tem certeza sobre a esfirra? Não prefere o kibe?

Publicada na RUBEM - Revista da crônica. Leia esta e outra crônicas em www.rubem.wordpress.com

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