domingo, 26 de junho de 2016

Instagram









— Amor, quero comprar um celular novo.
— Mas já? Compramos um pra você ano passado. 
— Eu sei, só que lançaram aquele modelo incrível.
— Incrível como? Fabrica dinheiro?
— Tem uma câmera muito boa.
— Pra quê uma câmera melhor?
— Você sabe que eu adoro usar o instagram.
— Não estou dizendo pra deixar de usar o instagram, mas...
— Como vou usar o instagram se as fotos ficam uma porcaria?
— Amor, não exagera.
— Não é exagero, todo mundo está usando essa câmera.
— Todo mundo quem?
— Não importa.
— Importa sim, quero saber quem.
— Não vou dizer.
— Você sabe que nosso orçamento está apertado. 
— A gente parcela.
— Mesmo na parcela, vamos ter que cortar alguma despesa.
— O quê, por exemplo?
— O cinema do fim de semana, por exemplo.
— O cinema tudo bem. 
— E o chope depois do cinema também.
— Ah não, o chope? Não faz isso.
— Chope é caro, a gente bebe cerveja em casa.
— Assim fico mal. 
— Acho ainda que vamos ter de cortar mais.
— Mais o quê?
— Esse celular novo custa uma fortuna.
— Podemos vender o velho e bancar a diferença.
— Não vale a pena, este seu, usado, ninguém compra.
— Compra sim.
— Com essa tela rachada? Não vende.
— Consertamos a tela.
— Pra quê investir nisso? Fora de cogitação. 
— Então é assim, não podemos comprar um celular?
— É a crise.
— Já sei, eu tenho que dar minha cota de sacrifício. 
— Todos temos. 
— Vão me zoar muito no instagram. 
— Tenta relaxar, tem dia que até esqueço que existe instagram.
— Relaxar? Como? Uma selfie relaxada até que seria uma boa.

Publicada na RUBEM - Revista da crônica. Leia esta e outras crônicas em www.rubem.wordpress.com

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