sábado, 28 de maio de 2016

Um é bom mas o outro é melhor













— Amor, de qual lado vamos ficar?
— Lado, que lado?
— Você não sabe?
— Não, não sei.
— Olha o cinismo. 
— Explica melhor isso pra mim.
— Tem que explicar?
— Claro, as pessoas se entendem é falando.
— Às vezes, um olhar já basta.
— Creio que não é o caso.
— Pô, não quer me ajudar?
— Ajudar como?
— Eu queria que você me dissesse...
— Dissesse como te ajudar?
— Não, que você me ajudasse a tomar uma posição.
— Posição quanto a quê?
— Não força a situação, vai ajudar ou não?
— Amor, eu não quero forçar nada.
— Então, por que essa crise?
— Crise de nervos? Crise de pânico, de ansiedade?
— Não estou falando dessas crises.
— Qual crise então?
— Pô, eu só quero escolher um lado.
— O lado certo, eu imagino. 
— Isso mesmo, o lado certo. Qual é?
— Será que eu sei? Será que não sei?
— Responde logo.
— Se eu responder sua pergunta, exijo segredo.
— Segredo? Como assim?
— Segredo absoluto, ninguém pode saber.
— Mas qual é a vantagem de estar do lado certo, se ninguém sabe?
— Você quer estar do lado certo pra quê?
— Ora essa, pra ficar na boa.
— Na boa?
— Ficar por cima, você sabe que eu não fico por baixo de ninguém.
— É uma questão de autoestima então.
— Isso, autoestima. Não posso me sentir por baixo.
— Mas e se eu errar?
— Você não erra, você tem um sexto sentido pra essas coisas.
— Talvez seja melhor não opinar.
— Ficar em cima do muro? Nunca! O que vão dizer?
— Que somos isso ou aquilo, da mesma forma. Quem se importa?  
— Tenha confiança, eu acredito em você.
— Sério?
— Seríssimo.
— Tá bom, então! Vou arriscar.
— Isso, amor! Diz pra mim: inglês ou espanhol? 
— Inglês.
— Inglês? Não, que mau gosto, vou de espanhol. 
— Espanhol é mais barato.
— Não é uma questão de quanto custa, eu quero vencer na vida.

Publicada na RUBEM - Revista da crônica. Leia esta e outras crônicas em www.rubem.wordpress.com

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