segunda-feira, 16 de maio de 2016

O swell do Brock













Aconteceu no Havaí neste fevereiro de 2016.

O Quiksilver em memória de Eddie Aikau é um campeonato de ondas grandes realizado na Baía de Waimea para surfistas convidados, sempre que o swell no oceano alcança invejáveis seis metros de altura. Um swell desse porte no oceano costuma significar por lá que ondas atingirão aquela baía com alturas entre nove e doze metros, o que faz delas objeto de desejo dos surfistas mais audazes do planeta.

O swell ideal para o evento é raro e por isso o campeonato não ocorre todo ano. Desde a primeira edição em 1985/86, o campeonato só foi realizado em outras oito ocasiões.

O evento ocorre sempre em memória de Eddie Aikau, um lendário salva-vidas daquela praia, famoso pela extrema coragem em surfar ondas grandes, desaparecido no mar aberto em 1978, depois do naufrágio de uma embarcação que tentava a travessia Havaí - Taití. Eddie era tripulante da embarcação e decidiu nadar até a ilha mais próxima em busca de ajuda. Seu corpo nunca foi encontrado.

Este ano, o carinho havaiano por outro personagem veio somar na tradicional homenagem à lenda de Eddie Aikau: pensou-se muito em Brock Little, dublê de cinema e surfista, também famoso por desafiar as perigosas ondas de Waimea. Brock Little faleceu de câncer no Havaí onde nasceu, em 18 de fevereiro último, aos 48 anos de idade, praticamente uma semana antes do impressionante swell que atingiu aquela baía, considerado o mais incrível swell em décadas. A efeméride foi logo percebida e a comunidade que pega ondas na ilha batizou o swell de 2016 como o swell do Brock.

Portanto, assim que as ondas grandes apontaram em Waimea, os vinte e oito surfistas mais sortudos do mundo se apresentaram na praia para descobrir quem seria o campeão depois de duas baterias. Venceu John John Florence, surfista havaiano, que disputa o prestigiado WCT, o campeonato mundial de surfe, onde brilha também a nossa brazilian storm.

Se o leitor desgosta de surfe, mas ainda assim chegou até aqui, sou grato. Esclareço que estas linhas (quase uma matéria lerda de jornal) foram escritas principalmente para exaltar o prazeroso astral gerado no Havaí pelo swell do Brock. Eu não estava lá, estive por aqui, escrevo de ouvir falar. Mas a bonança havaiana me faz lembrar o terrível abril que nós brasileiros tivemos, as tantas emoções negativas que nesse abril experimentamos. O Brasil não é o Havaí e não escrevo para apontar meus culpados. Nosso swell de abril pode ser atribuído a muitos personagens, uns dirão que foi o maligno swell de fulano, outros de sicrana. Eu me queixo.

Swell de abril como esse eu não quero sentir igual nunca mais.

Sou de outra natureza.

Publicada na RUBEM - Revista da crônica. Leia esta e outras crônicas em www.rubem.wordpress.com

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