domingo, 23 de agosto de 2015

Suco de laranja


- Bebe este suco de laranja, fofo.
- Está azedo.
- Jura? Poxa, fiz com tanto carinho. 
- Obrigado, mas está azedo.
- Não vai beber o suco?
- Não.
- Bebe um pouquinho só, é pura vitamina C. 
- Que parte de "o suco está azedo" você não entendeu?
- Entendi que você está de frescura com o suco. 
- Frescura?
- Você nem provou direito. 
- Mas está ruim.
- A culpa é minha então? Que fiz o suco só pra te agradar...
- Mas quem foi que botou a culpa nessa história?
- Se fui eu quem fez o suco e ele está azedo...
- Você é culpada da laranja estar azeda? Foi você que plantou, que cultivou, que colheu a laranja?
- Fui eu quem botou no seu copo.
- Esquece. A laranja estava azeda, não é culpa de ninguém.
- Então bebe o suco. 
- Este suco azedo?
- É, eu preparei especialmente pra você.
- Por isso eu devo beber, mesmo que esteja azedo?
- Deixa de frescura, bebe logo isso.
- Não dá pra fazer outro não?
- Outro?
- Faz uma limonada.
- E limonada não é azeda?
- Bota um pouquinho de açúcar.
- Ah, você quer açúcar, por que não disse antes?

(enche de açúcar o suco de laranja)

- Agora bebe, está docinho.
- Ainda bem que minha taxa de glicose é baixa.
- Bebe o suco todo, que vai fazer bem pra sua saúde.
- Hum, agora está doce mesmo.
- Viu só? Eu sabia que era frescura. Quase não botei açúcar.
- Não parece.
- Um tantinho de nada.
- Obrigado pelo suco, então.
- Não precisa agradecer, fiz por amor. 

Publicada na RUBEM - Revista da crônica. Leia esta e outras crônicas em www.rubem.wordpress.com

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