quinta-feira, 10 de julho de 2014

O amor não está no ar













Sobre filmes muito se discute, se fala, e com as conversas surgem as inevitáveis listas, dentre elas aquelas que elegem os melhores filmes da história. Peço licença para comentar a última lista do gênero em que meti os olhos, elaborada pela revista "The Holywood Reporter" a partir das opiniões de atores, produtores, diretores, roteiristas e executivos da indústria do cinema e da tevê.

Sobre ela tenho apenas um comentário. E vou levar em conta os dez filmes mais bem colocados e os temas que melhor resumem seus roteiros. Segue a lista:

1º "O poderoso chefão" (1972), tema: o poder
2º "O mágico de Oz" (1939), tema: a amizade
3º "Cidadão Kane" (1941), tema: o poder
4º "Um sonho de liberdade" (1994), tema: a liberdade
5º "Pulp Fiction" (1994), tema: a violência
6º "Casablanca" (1942), tema: o amor
7º "O poderoso chefão 2" (1974), tema: o poder
8º "E.T." (1982), tema: a amizade
9º "2001: Uma odisséia no espaço" (1968), tema: a civilização
10º "A lista de Schindler" (1993), tema: o holocausto

É claro que o leitor irá discordar desta lista, ela é motivo de óbvia polêmica, quem não reclamará da ausência de "A doce vida", de "Os sete samurais", de "Chinatown" e de "Um corpo que cai"? Por que não incluir "Cantando na chuva" ou "Silêncio dos inocentes"? E os fãs de ficção científica? Lembrarão que "Blade runner" e "Matrix" merecem destaque em uma lista como esta. Quanto a nós, Brasil, falta algum filme brasileiro?

A verdade é que as listas servem é para isto mesmo: provocar o debate e nos fazer lembrar dos filmes que marcaram época em nossos corações.

E já que se falou em coração, vou direto ao comentário que antes prometi, gostaria de chamar atenção para uma característica desta lista e de outras que tenho visto. O leitor reparou que procurei concentrar em uma palavra o tema destes filmes? Foi difícil e pode ser que muitos não concordem, pois alguns deles têm roteiros complexos, como é o caso de "2001", outros são feitos de várias histórias e um roteiro, como é o caso de "Pulp Fiction". Fiz isso para que o leitor atentasse para a pequena participação do amor como tema em filmes tão famosos e cheios de prêmios. Entre os dez melhores há somente uma história de amor relevante, apenas uma!, em "Casablanca", onde aliás nem se pode dizer que ela tem um final feliz.

Não é curioso?

Agora vejam "O poderoso chefão", filme considerado o melhor de todos os tempos. Diz muito sobre a condição humana que nosso filme campeão tenha como tema o poder, ou melhor, a passagem do poder entre duas gerações de uma família mafiosa. E o poder surge outra vez como tema na continuação "O poderoso chefão 2" e em "Cidadão Kane", dois filmes também sempre lembrados em todas as listas.

O que me leva à confirmação do que eu já sabia, mas que devo relembrar aqui para que exercitemos o discernimento: o ser humano continua fissurado no fascínio que o poder provoca, nós ambicionamos o poder como quem precisa de uma droga perigosa, dele que alimenta como nenhum outro vício nosso orgulho, vaidade e soberba. Nossa sociedade venera o poder, repercute e reproduz sua vontade em todas as mídias, projeta assim desde canções típicas até vídeos caseiros gravados em full HD. O amor em nosso tempo só reverbera quando a serviço desses mecanismos, para reforçar ou redimir o discurso dos poderosos. Some portanto das telas sua força contestadora e dramática. A prova está nesta lista, que é quase um protesto, é o que pensam os mais influentes contadores de histórias do planeta.

Coitado do amor, são realmente filmes muito bons. Você discorda? Tem uma lista diferente onde o amor foi reinventado? Seja um poeta! Mas não adianta citar "Romeu e Julieta", não é filme, é peça de teatro. E sinto falta por aqui de muito final feliz. 

Veja a lista com os cem melhores filmes em Lista dos cem melhores filmes da história

Publicada na RUBEM - Revista da crônica. Confira esta e outras crônicas em www.rubem.wordpress.com

Um comentário:

Giovanna Martire disse...

hehehe ppara mim eu colocaria sem dúvida E o vento levou. Sem dúvida.

 
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