terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Resenha de "O apanhador no campo de centeio", de J. D. Salinger

Meu volume de O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO, Editora do Autor, 180 páginas, teve de ser adquirido em um sebo, já que esta obra de J. D. Salinger (1919-2010) ficou muito tempo fora de catálogo por aqui. Recentemente foi reeditada e está disponível nas melhores livrarias, portanto o leitor que desejar não terá dificuldades em comprá-la.

Trata-se de um relato sobre o que apronta o adolescente Holden Caufield depois que é expulso de mais um colégio, é o próprio Holden quem conta a sua história, com dose cavalar de ironia e com amargura precoce. Ele é um jovem que não se ajusta aos rígidos padrões de ensino de sua época, fracassa em todas as disciplinas escolares exceto inglês, o que não é o bastante para que sonhe com o perdão dos pais. Preocupado com a recepção que terá ao retornar para casa com a notícia da expulsão, o protagonista resolve deixar logo o colégio e se aventura pela cidade de Nova Iorque antes de encarar a reação da família.

As inquietações de Holden são a graça de O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO, são o que põe de pé este romance incrível, Holden não caminha, ele vagueia pelos mundo à mercê de suas próprias opiniões sobre as pessoas, sobre os lugares e sobre os acontecimentos. O estado de seu humor oscila, vai do razoável ao terrível, mas ele é incapaz de se impor a quem quer que seja, a solidão vence sempre e parece mesmo sua melhor companhia.

Ser adolescente é quase sempre ser Holden, é experimentar a angústia de ter que se encaixar, é se revoltar contra as formas que começam a nos ser impostas nessa idade, o mundo quer o sujeito classificado, padronizado, pronto para as demandas da sociedade, o ex-menino tem que dar o seu jeito. É o que a família espera, o que os amigos esperam, o que todos esperam, mas o quê Holden quer? Ele sabe apenas o que não quer, convenhamos: já é muita coisa. Mas não é o suficiente, as engrenagens em funcionamento não perdoam, ninguém quer vê-lo ficar para trás. 

O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO entrega bem o seu recado, foi escrito com uma linguagem coloquial e muito atraente, bem adequada a pais e filhos. Servirá de perfeita introdução a outros livros deste admirável escritor, J. D. Salinger abordou bastante em toda a sua obra essas questões relativas à quase juventude.

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