domingo, 18 de agosto de 2013

Resenha de "Ciranda de pedra", de Lygia Fagundes Telles

É preciso abrir-se para a vida como a janela de uma casa estreita convida para um prado enorme. Esta frase talvez encantasse Virginia, a protagonista deste primeiro romance de Lygia Fagundes Telles, publicado originalmente em 1954 pela Editora Nova Fronteira. Filha de pais separados, Virgínia vai viver com a mãe afastada do convívio com as irmãs, mas acaba por retornar à casa paterna ainda uma menina, a doce menina para quem os olhos da família convergem com disfarçado assombro. Virginia não consegue esconder sua inadequação àquele ambiente, é alguém diferente, sua infância está tomada por contraditórios sentimentos, existe a dor da perda, a perda da mãe, a perda irreparável que expõe o seu pequeno coração de criança. Ela parte então para o internato de freiras, é lá que tentará reinventar-se. Será uma tentativa frustrada, pois seu destino parece adiado, está irremediavelmente atado ao de suas irmãs e amigos, àquela ciranda. Uma vez que ela retorna à família já uma mulher adulta, as questões entre todos precisam se resolver, Virginia segue em busca das respostas, tenta em vão encontrar seu lugar entre aquela gente, gente que seu olhar indomado perscruta com frágil sensibilidade.

CIRANDA DE PEDRA é um romance delicioso, capaz de atingir o leitor no que ele tem de mais precioso. Seu efeito vai variar conforme a pessoa, o romance pode ser franco se o coração se esconde atrás da rotina, será malicioso se nos acostumamos com as meias-verdades, vai ser doce para o ouvido de quem aprecia sinfonias. Possui esta qualidade original: muda com as diferentes leituras, é feito de camadas. Quem se arriscar por suas páginas poderá conferir por si só a força de uma estréia valorosa, Lygia Fagundes Telles cumpriu sua tarefa com bravura, seu livro é um aconchego nos bons sentimentos, detém em qualquer peito a ternura latente que às vezes some e nos deixa órfãos. Sendo assim, é um espelho valioso, suas horas conosco são permanentes, foram bem-vindas.

A Rede Globo adaptou CIRANDA DE PEDRA duas vezes para a televisão, a última delas foi exibida em 2008 em forma de novela com 131 capítulos. A primeira adaptação foi ao ar em 1981.                

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