domingo, 9 de junho de 2013

Resenha de "O mundo se despedaça", de Chinua Achebe

É um brado raro na multidão dentro da noite. Assim podem ser resumidas as 236 páginas deste romance revelador, escrito em 1958, que traz da África o recado de suas antigas tribos, tão bem que é como se os ancestrais daquele imenso continente ganhassem nova voz. Na verdade, esses ancestrais ganham, através de Chinua Achebe toda uma civilização é resgatada, à medida que tomamos consciência de sua história singular.

Achebe narra em "O mundo se despedaça", publicado aqui pela Companhia das Letras, o destino do grande guerreiro Okonkwo e de Umuófia, sua terra natal. Okonkwo é um homem rude mas talentoso, possui 3 mulheres e vários filhos, é próspero e vive em função de se tornar cada vez mais respeitado dentro do seu clã. Nasce para o leitor como personagem incomum, inserido que está em posição de prestígio, é um poderoso cidadão de Umuófia.

Um infeliz acidente, contudo, irá provocar seu exílio na terra de sua mãe e é nesse período que ocorre a maior mudança: a chegada do homem branco a Umuófia, trazendo uma nova religião, novas regras, e alterando o secular equilíbrio de poder mantido pelos costumes da tribo. Diante da introdução desse novo personagem nada ficará como está, o resultado é devastador para a parte mais fraca.

Chinua Achebe escreveu este livro com grande simplicidade, não há meros exercícios de estilo, suas palavras são francas e surtem o efeito esperado: contam com rigor de detalhe o valor do passado do homem negro, entregam de volta a ele uma parte que poderia ser perfeitamente esquecida, é ou não é a história uma canção dos vencedores? Todos sabemos de fato quem enfim sucumbiu. Achebe cumpre seu papel brilhantemente, não se encontra verdadeira justiça sem consciência de si mesmo.

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