sábado, 15 de junho de 2013

O mundo como ele é ao pé da minha cama

Da margem da minha cama sobem as vigas de aço
que mexem no céu azul com todas as esperanças.

este céu povoado... os bêbados já não o alcançam,
derramam debaixo dele o suor das varizes, derramam espanto.

E as graças divinas não se comportam mais
como se pertencessem a templos espetaculares.
São cabisbaixas.

Feito sombras esmurram as portas caladas dos edifícios,
sobrevivem sem assunto perto dos bueiros.

Há fregueses por toda a parte perfeitamente encantados
por uma espécie de mágica que os penetra pelas órbitas,

saltam para as calçadas como se lançados por chafarizes frenéticos.
ah, a água, essa água ainda prateada

os bolsos largos, as carteiras vazias, os cartões cheios, os bancos cheios

Vicejam exasperados,
mal se dão conta da saliva entre os dentes engordurados.

Fitam a fundação do céu azul.
Espumam, afogam-se bebendo nitrogênio líquido.

sente a ferrugem nas minhas vigas prediletas, nas brisas mal faladas.

um redemoinho tem a força de uma paixão
e sobrevoa o chão assim se tivesse asas

o mundo se esconde
existe uma mentira estrondosa em tudo o que se diz
desde o cotovelo até o pé da minha cama branca.

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