sábado, 13 de abril de 2013

O aço

Não há nada na manhã
que me sirva de anúncio
de novos dias mais fiéis
a sonhos do que a aço;

eu ouço uma máquina
com horas pagas no painel
que machuca vibrante
o horizonte pálido.
deve estar cortando
qualquer placa de madeira
mas quem quer madeira
neste mundo de aço?

portanto...
sobe mais ao céu do homem
neste inclemente sábado
a superfície fria do aço.
sem que se note a confusão
do corpo fora da noite
feito a madeira;

o mundo de aço?
ele me traz chiado
já está cortando
esta manhã tão minha.

quero que pare
de expressar a estridente
determinação da gente
agora tão daninha.

há um pingo de sono
e ele brilha refrigerado
tenta se impor com cuidado
neste mundo tenso.
há o voo para um lugar
mas ninguém voa assim,
sem agenda e sem retorno,
que não seja pássaro
no céu de aço.

erguem um monumento
todas as horas ao aço.

a máquina para
felizmente se afasta
leva umas horas inteiras
para os pés das pernas
se acostumarem.

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