sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Resenha de "Morte Súbita", de J.K. Rowling

Conforme prometido, aqui vai a resenha do primeiro livro para adultos da criadora de Harry Potter.

As 501 páginas de "Morte Súbita" descrevem o verossímel cotidiano de Pagford, fictício vilarejo britânico onde se passa a história, onde Rowling investe todas as suas fichas como autora. E ela não comete erros. Pagford é mesmo muito impressionante, graças a seus moradores, às voltas com a morte do popularíssimo conselheiro Barry Fairbrother, cujo inesperado falecimento desencadeia uma série de infelizes acontecimentos. O talento de Rowling aqui se concentra principalmente nos personagens, todos de uma nitidez impressionante. É uma gente comum, pra não dizer ordinária, implacavelmente guiada pela vontade inexorável de mesquinharias muito humanas. Chamo a atenção do leitor em especial para as crianças desta obra, retratadas com rigor, em conflito insolúvel com os adultos que delas deveriam cuidar. São elas que movem este romance. Parecem habitar universos diferentes - adultos e crianças - inteiramente afastados, preocupados e sozinhos diante de suas questões. Não se ajudam, não se entregam, mal conversam. Dá medo, ainda mais se lembramos de Harry Potter e sua admirável turma. A diferença traz surpresa.

Existe pouca esperança de salvação em "Morte Súbita". As falhas de caráter são insuperáveis, fazem a gente perguntar: qual será a redenção desses personagens? Nem todos terão direito a ela, já adianto ao leitor. E, enfim, quem terá sucesso? Quem ficará com o cargo do conselheiro Barry Fairbrother? Não importa. O que importa é o afeto que deveríamos valorizar, onde está o afeto? Os moradores de Pagford se esqueceram de perguntar, Rowling trata de ensiná-los. Seguir pelos dias é extremamente difícil quando se disputa o tempo todo com o vizinho, com o colega, com o amigo. Acabamos por afastar quem queremos bem e as sequelas podem ser permanentes. Olhemos bem de perto as crianças, parece nos dizer Rowling a cada página. Porque certamente deseja que sejamos forçados a concluir: podemos fazer por elas muito mais do que nossos egoísmo e vaidade permitem.

Recomendo.

Morte Súbita foi publicado no Brasil em 2012 pela Editora Nova Fronteira.

2 comentários:

Fernando Miguel disse...

Boa resenha, a sua.
Eu já li o livro e também gostei.
Um abraço,
Fernando Miguel

Marco Antonio Martire disse...

Valeu, Fernando! Acabei de conquistar para ele a minha irmã. Com certeza ela vai gostar. Abraço.

 
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