domingo, 17 de fevereiro de 2013

Contra o vento

sou a parte de mim que volta
pelo caminho e contra o vento

com as histórias vagabundas...

- porque eu vi...
- eu ouvi também

o ar aborrecido e pago.

ouço agora as glórias
e a sabedoria que passeiam longe,
onde as mágoas retas
se danosas não prosperam.

por onde passarei prosperam
- na sombra e no vão -
vêm com o vento
- sem culpas, coitado! -
e fustigam e açoitam.

porque a noite
pra mim ainda é a borda,

no detalhe,
não sou dela não!
não inteiramente.

embora me queixe
embora não deixe
embora não queira

contra o vento contra o vento
contra o vento contra o vento
e a dor do corpo
e minha vontade sã

a renegar bebedeiras e os avisos:
alegrias não há fora deste lugar
nem sol nem beijo
nem sequer prato de comida,
eis a nossa profecia.

Não vá, nem pense em se ir
o que sonha? Quê mais quer?
não sinta o vento que leva,
sinta o mar parado e a vida que treme
a peleja do homem e seus goles nas marés...

embate, luta, correio

e minha obra descobre se tem pés soberanos
se adoro agora mesmo o favor do vento.
Passo com meus poros gelados.

queria que o passeio fosse uma história mais alegre
e perpétua, passeio da estranha saliva de toda a gente.

ouça o poema em mp3

4 comentários:

Energia disse...

A Poesia está em seus poros...

Mas vença o seu querer no próprio querer, leia com atenção:

"queria que o passeio fosse uma história mais alegre
e perpétua"

Por que deixar no "queria". Faça seu querer Ser.

Abraço,

De um amigo eterno

Marco Antonio Martire disse...

Valeu, meu caro. Tenho achado difícil essa parte, ser vem sendo um desafio perene, mas sigo em frente e os poemas vou deixando pelo caminho. Abraço!

Eduardo Rocha Bié disse...

Lindo...! Quanto ao "queria", ñ tenho objeções, acho q poesia tem dessas..., nem tudo tem q ser linear, nem todos sonhos devem ser realizados...

Marco Antonio Martire disse...

Valeu, Eduardo! Sua contribuição ao poema estimula minha criação. Abraço!

 
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