terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Resenha de "Norwegian Wood", de Haruki Murakami

Vamos então à primeira resenha do ano. Trata-se deste belo NORWEGIAN WOOD, do japonês Haruki Murakami, 359 páginas, publicado aqui no Brasil em 2008 pelo selo Alfaguara da Editora Objetiva.

Ler este livro é dar-se conta mais do que nunca: cada ser é sim um universo, ainda que controlado pelas convenções sociais, ainda que podado pela timidez e pelo não entendimento. Há de verdade uma riqueza espetacular em cada gesto cotidiano e ela quer saltar pra fora de nós em busca da compreensão de nossos olhos. Muitas vezes ignoramos esse chamado interior, porque temos compromissos e também medos, pois olhar pra dentro exige coragem. Exige prática.

Toru Watanabe, rapaz de quase 20 anos, protagonista deste romance, é forçado a esse processo de auto-conhecimento pelo suicídio inexplicável de seu melhor amigo Kizuki. Toru mergulha valentemente nesse processo, enquanto lida com as exigências da vida nova no alojamento da universidade durante o fim da década de 60. Precisa também lidar com a paixão por Naoko, namorada do amigo, e com a atração pela colega de aulas Midori, duas garotas bem diferentes, que não se conhecem. Naoko delicada, Midori espontânea. Forma-se o singelo triângulo amoroso que irá carregar o romance com grande êxito.

Não há reviravoltas na trama, a ação que se encontra é a dos melancólicos passeios de Toru por Tóquio e pelo Japão. Mas há inúmeras referências musicais, entre elas a onipresente canção de mesmo nome dos Beatles, sempre executada. Aqui e ali o protagonista percebe as pequenas dicas que viver lhe concede, segue em frente fazendo as perguntas, quase sem respostas. Elas estão onde tem que estar: nos que estão  próximos, perto do coração. Toru não desiste delas, é a sua vitória, dia após dia prossegue, pede desculpas a quem quer bem, se arrepende, duvida. Para enfim perseverar com esperança, resoluto e mais humano.

NORWEGIAN WOOD é uma obra de feitura cuidadosa, meticulosa até. As páginas são como nossas jornadas por este mundo incrível e cheio de possibilidades. Contam para nós como fios emocionais invisíveis nos levam pelas encruzilhadas, mesmo na vastidão. Tudo está incrivelmente perto, dentro de nós, do outro. Inevitavelmente.

NORWEGIAN WOOD virou filme no Japão, lançado em 2010 e dirigido por Tran Anh Hung.

Um comentário:

Giovanna Martire disse...

Adorei a resenha. Vou lero livro com certeza. Beijos, Marco.♥

 
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