sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Resenha de "Vermelho Amargo", de Bartolomeu Campos de Queirós

As páginas deste volume curto - apenas 72! - pedem do leitor só o espaço breve de uma tarde ou a passagem larga de manhã já bem adiantada. A satisfação que sobrevém da leitura é incômoda, como o dia depois do sonho, surge de nossas memórias, vivas na prosa esclarecedora de Bartolomeu Campos de Queirós, inspiradas por suas inquietas lembranças. Publicado em 2011 pela Cosac Naify, VERMELHO AMARGO é compêndio valioso, santuário da infância sujeito aos ares carregados da idade, construído pela experiência e afetado profundamente por ela. Neste livro, a implacável existência afirma-se decididamente e se encarrega do passado, norteia seus ingênuos pedidos. Assim tomamos consciência de como ela enxerga o tempo de menino, do que ela faz com aquele coração, mexido pelo viver enquanto come, brinca e conhece o mundo. É relato repleto de poesia, conversa de gente grande, obra que nos enche de contraditórios sentimentos. Atravessá-la é tomar ciência da dor que existir forçosamente recomenda. Afinal, é preciso "experimentar o prazer para, só depois, bem suportar a dor", ensina o autor, falecido este ano aos 67 de idade. VERMELHO AMARGO ganhou o Prêmio São Paulo de literatura de 2012. 

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