quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Paula Tolentino, poemas







O Marco esteve ontem no lançamento do livro de poemas ROSA METÁLICA de Paula Tolentino, no feliz bairro da Lapa, Rio de Janeiro. Atriz de já longa carreira no teatro e na televisão, Paula se lança agora com força no mundo da poesia, este nosso imaginário que percorre coletivamente o mundo. Seguem três poemas de sua bela contribuição.

ROSA METÁLICA

Nasci no sertão:
flor de pedra.

Muitas mortes,
morri.

Na urbe se me deu
uma transmutação

E renasci:
rosa metálica.

***

AMOR: VEREDAS

Um amor transborda
tanto, que me parte.

Parto!
Dou à luz uma flor
que me conduz.

Vertigem de infância:
mulher rosa, a caminho
com o coração agindo.

Trilhas vão se abrindo
no trançado do tempo...

Vai, destemida
abre passagens, seu humor vital doa,
voa, quero-quero, beija-flor, bem-te-vi...
Tanto que se ri e se faz rio e se faz rosa
e se torna flor.

E ele diz:
quero me inscrever em teus olhos
aninhar-me na tua pele.

E ela: sim, aflorar este ardor
gostosura santa,
pequenas mortes viver e
renovada, amanhecer.

E eles: venha sim, pequena flor
de pétalas brancas.

****

TEMPO

Todo dia o tempo
oferece à rosa
o presente.

Cora a rosa, encarnada
e acolhe
o seu presente.

Assim que ela dança
ao calor do sol, à brisa do vento e
quando cai a chuva...

Assim que anoitece com a lua
despetala ou floresce
quando o tempo pede.

Que o que anima a flor - ele adivinha
é o instante já, o agorinha.

Assim que ela trança
o tempo em três:
o futuro é porvir
e o passado, semente.

Todo dia
o tempo oferece
presente.

do livro Rosa Metálica, Editora Multifoco

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