segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Fim de ano

Não é o ano que queima o peito
com seu decreto de dias
e números e feriados aproveitados.

é o estrondo das manhãs vividas
que penetra as minhas narinas.

é o largo calor atravessando
a fenda da janela silenciosa.

é o brilho do ar debaixo do sol alto
mais alto do que a imaginação vê.

um tanto de mim, um tantinho
em cada coisa ficou
mesmo que suma da memória.

toquei uns passarinhos no ano que passou
assim como toquei botões de elevadores,
ora amargo ora eu ora feliz e ora também.

as coisas que vejo parecem comigo
porque as vejo me deixarem no passado,
e intenções leves em formas breves
me assemelham e completam o presente.

Não há quase mágoa
poucas lágrimas,
e os vãos inevitáveis são:

cadeira de balanço
ou tatuagem,
cigarro ou espelho,
braço que ajuda
ou emprego.

Amanheci no comando da manhã
que esperava com sal na boca;
o açúcar se foi, já só nasce
dos doces. Dos doces.

doce manhã bem amarela
no fim de dezembro em 2012.

Feliz 2013, gente!

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