terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Mil litros

As calçadas frenéticas
souberam do abuso:
mil litros de chope!

No bar, a farra.
na rua, dezembro.

um só bêbado
comemorava a marca,
deliciado com os rojões;

com o nome estampado
na faixa amarela;

na farra não mentiam,
alguns sussurravam,
outros davam parabéns.

diziam ser fácil
a felicidade assim,
tendo nos dias as noites
e em casa o abrigo.

durante um quase verão
que não se faz idéia,
perto do fim do mundo.

tocavam as tubas,
as cornetas e os tambores;
viva o grande amigo!

de justas alegrias
e condenações,
viva seus desvios!

Lá pelas tantas
repetiram-se as palmas,
os sons da louvação.

Que ele se erguia outra vez
pra declamar finalmente,
que nem padre afamado
ou bispo sem emprego:

pigarreou e mostrou a língua,
os dentes brancos feito gelo.

Olhou para os lados
e contou por horas sua história...

foi uma celebração intensa do medo.

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