segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sinal de trânsito

- Não há ar aqui - disse um.
- Ar há, mas está parado - respondeu o outro.
Porque estavam próximos à fonte que jorrava,
só que pregavam o fim do mundo,
quando então seríamos julgados,
e queriam ser passarinhos.

A grande pedra lá no alto erguia suas cabeças
e se podia pensar:
sou um rei e o embriagado
pouco tem a ver comigo.

por perto um instinto
trafegava com pressa pela pista gelada.

os dois filosofavam sobre o ar parado,
aquele mar casado com a esquina.

enquanto se acostumavam
com o entendimento da rua,
zombavam da bicicleta
a tentar ganhar do destino.

matavam o trabalho do amanhã para se largar ali
ao longo da comprida bancada de madeira
juntos como se jogassem uma partida de sinuca.

O ar sofria feito qualquer lugar do planeta,
bebiam perto da cabeceira de algum rio.

era uma distância que teimava
vinda de qualquer continente,
já desesperada de se ver gente.

uns boatos circulavam, povoam
todos os cantos. Aqueles bêbados
perduram entre os encantados
assustados com os encantos.

vida que é dor
trabalho e cor
uma renascença
sem os perdidos.

sussurram em volta da mesa,
preguiçosos no banheiro,
na cadeira e sobre as pulgas
dos cães da rua.

o ar parado.
o sôfrego para e se pergunta:
pra quê caminhar?,
vou meu deter neste mar.

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