quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Olhos moles

enquanto raciocinava
com os olhos moles,
a luz lhe bastava
sorrindo feito neón
esparramada
pelo meio da rua
na praça aos montes.

só que a luz era
dessas falanges
que socorrem os humanos:
uma lembrança que atrai
um sonho
o perfume
quem dera da bola
se não fosse de mulher.

pensando nela
é que se demorava na beira
ruminando.

houve dia em que se beijaram,
em que atravessaram a rua
cheios de palavras inteiras,
porque a existência toda
fora um curto sentido
capaz de preencher aquela mesa.

a dor o inspirava agora
a violentos e íntimos impropérios
e a ter uma garganta.

do que é capaz um homem
do que é capaz um homem

aquele chão usado
pra se ver livre
do belo
era mansidão...

quem disse vá para a luz?
que ficava no topo da escada
queimando a retina
imitando o sol velho,
ah, o sol enlouquecido e ébrio
ao de lá dos limites,
no reino da vastidão!

o estranho era o belo,
as mãos
o artifício
o quebra-cabeças.

este deverá ser uma toalha
onde os convivas
estenderão suas láureas
e falarão de princípios:

regras que se tenta,
de todo e qualquer jeito, quebrar
nem que seja por só uma noite.

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