terça-feira, 21 de agosto de 2012

A imagem que me socorre

Vou de encontro
à imagem que me socorre
como se fosse cais
de águas paradas
e costas nuas
onde me deito
querendo a curva,
não a reta,
que me queixo;

essa imagem
talvez seja
um saber sem dentes
atrofiado pelos gestos hostis
de toda a gente;

essa imagem
é uma labutosa ocupação
que desencadeia
um injusto processo;

sofre,
quem não sofre?
eu procuro

porque a imagem me socorre
e não estou exausto,
e padeço dela
feito um cachorro nu;

o costume
era imaginar as provas
e este hábito sou eu;

vôo em volta de mim
de mim, de mim
o pássaro exigente;

cabeças vão rolar
quando a imagem for real,
mais imagem que retrato,
e eu quase quero
que se construa o tal lugar

será onde se puder
se puder, se puder

uma lapidada aldeia.
e mais não digo...
que não metem a rede
para o meu abrigo;

há que sustentar a imagem
- diz o velhinho -
todo o mundo faz isso
não é diferente o caminho:

quem não tem um lugar?
sem pastas ou borboletas
e avios e cassinos;

mas não é essa a imagem.
sei porque é louca,
e o meu calejado caminho
a imagem socorre,
não é espinho,
não é enchente,
não é implosão.

outro sentimento
sobre a prova;

é uma fora de mim
a espantosa
encantada de venenos
alucinada de pavios,
uma acareação.

e se calho com ela,
quero ser
vontade da minha criação,
porque não sou
uma intenção do vão que rodeiam
toda vez,
pela décima não sei que vez.

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