domingo, 10 de junho de 2012

Fúria

A fúria, sua fúria
derrama sal
estrondosa,

que ao vir
abre vãos
no meio
das pessoas;

e se eu como,
demoro
com o garfo
rente à boca,
delicadamente;

poderia usar
um capacete
e ainda assim,
despercebido,
comeria um javali;

não ele, eu no espelho.

é claro que
leva a fúria somente,
claro como a água.

e que ela,
por que é venturosa,
o abandona
como abandona,
conforme esperado,
quem tem fome
diante da carne.

sem a paz
sem os brinquedos
dentro do armário.

na hora que é verdade.

se capaz for
de um singelo movimento...

quem faz uma oração dolorosa
quase sem joelhos?

a mulher, ai... a mulher
que desejar
servirá ao plano,

ao quebra-cabeça
que enfrenta furioso

com a fé,
com os pais,
com o país.

pra quê mais servirão
os cursos de inglês
e a graça da capoeira?

o espelho nobre,
mortal e crescido
os auspícios bons...

de outra maneira
tremedeiras

seus olhos cobram,
como cobram!
só concebem
o luminoso pódio.

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