quarta-feira, 30 de maio de 2012

Resenha de "O nosso reino", de Valter Hugo Mãe

Valter Hugo Mãe estreou com este romance em 2004, lançado aqui no Brasil neste ano de 2012 pela Editora 34. São 160 páginas de romance, através das quais conhecemos Benjamin, o menino que narra a história e que nos apresenta a vila portuguesa onde vive, cenário em que caminha tomado por inocência mas também por uma vontade de conhecer que luta contra a vontade de ignorância cultivada por seus vizinhos. Deus assume um papel determinante na história de Benjamin e sua família, pois que Ele é a perfeição para onde todos querem convergir, com suas mazelas e suas tristezas profundas. Sim, é uma vila triste o cenário do menino, todos carregam culpas, carregam desesperos, carregam mágoas. E Deus parece puni-los, apesar da extrema fé que lhe dedicam, dos lamentos pela desgraça permanente que se afirma todos os dias, seja através da morte, sempre presente levando os entes queridos, seja através de doenças estranhas, conforme quer o divino. A sensibilidade de Benjamin é o que deveria salvá-lo do destino comum - pelo menos assim eu desejaria - mas o autor não admite concessões e reforça a tarefa do deus que rege a existência deles: a sensibilidade de menino não garante nada, o arrasta também e sempre para o centro dos acontecimentos que movimentam a vila. Os moradores serão seu algoz, vão reafirmar seu papel cada vez mais, irão norteá-lo para o fim memorável, tão belo que detesto. É a raiva da tristeza profunda que povoa estas páginas, que moverá no leitor aquela dor presente no cotidiano, direcionando-a para o mundo deste romance. Uma leitura impressionante em nosso peito tão desejoso de felicidade! Como eu disse, Valter Hugo Mãe não faz concessões, entrega a vida que houve para a gente, não importa se não é o que deveria ser. É, do jeito escrito, para o bem ou para o mal de nosso costume de entretenimento.    

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