sábado, 12 de maio de 2012

As cores e o artista

as cores do dia
são as mesmas
faz uns anos:

saltam amarelas
para dentro do quarto,
escorrego nelas.

um rasgo verde
vem da mangueira
junto com pássaros
e passarinhos desarvorados.

coisinhas minúsculas
chegam a me visitar
com cheiro de laranja;
são azuis
zunem de encontro às paredes;

o meu mundo pequeno
ficou menor quando acordei,
saltei do sono
para as cores
que faltavam na palheta;

eu não sei vê-las
de outra maneira,
só às avessas
faltando nos lugares;

A cor de carnavais,
o rodopio roxo
dourado pela música.

assusta
causar nos braços
esta profissão de pintor;

desenho
o couro de um cavalo
ou o azul do mar,
a conta da saúde
a composição do ar.

latejo, espanto-me.
ai, brilho de sol!
coriza.
os vermelhos são aflitos.

permeiam a mansidão
devastam a casa.

pretejada como pedra
incrustada e obsediada
pelas ruas da cidade.

e os escuros
são patrões cruéis
que mandam me buscar.

houve uma vez
em que estive lá
na tela guardada
que nem luminoso cenário.

eu sou pintor,
o inimaginável artista;
e sou meu trabalho
exposto
diante dos comensais
nas portas do grave mercado.

2 comentários:

Bruno Moreira Lima disse...

MUITO bom, Marcão! É o que, de fato, vivemos: o prato de comida X a alma... Hehehehe Como equilibrar essa balança com o tempo? É o que venho tentando responder... Grande abraço e parabéns pelo belíssimo poema!

Marco Antonio Martire disse...

Valeu, Bruno! Tempo é o que temos de mais precioso, não é mesmo? Abraço!

 
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