domingo, 29 de abril de 2012

A cor do vento

Não sei quem falava do vento,
não ouço mais
da cor do ar no pensamento.

onde estão essas pessoas claras
que se dedicam a mostrar?

o mundo e sua cara verde
riscado de amarelo e negro

sou dele
como o peixe do aquário
persegue o vidro

a sala. o vidro. uma cor
e tenho ausências de juízo
porque procuro esta cor

no vento. ditada por uma carta
ou umas páginas sangradas
esperançosas feito medalha;

os prédios perenes,
a lagoa e o sinal de trânsito
deixam no vento umas cores
mais minhas desde criança.

sou esta cor do vento
que gruda em mim
o sal do mar, os uivos,
os lares beatificados.

e o céu me impressiona
quando vem abaixo,
tem um cinza claro
uma ordem que vai pro ralo.

todas as cores para o ralo,
uma reviravolta,
o mundo branco
os painéis de volta.

e os pedestres que pintam
as calçadas com seus olhos permanentes.

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