quarta-feira, 4 de abril de 2012

Cego

atrapalho-me
com as palavras
que me visitam,
a urgência
íntima

selei meus olhos
faz tempo
e o coro
que há neles
guardado.

foi o medo
do desastre.
quebrou-me
a vista.

sem ser triste
despercebo
a manhã sozinha
e o mar fora

tenho as letras
e tudo que o
homem guarda
no bolso:

entreveros
e guardanapos
manchados
com batom,

arcos de fé
gigante
dobrados
como origami,

cartões coloridos
que abrandam
o sopro quente.

visto a camiseta
onde imprimi
bom-dia
para as vespas.

o meu vejo
é uma conversa
minha
com quem não tem nome.

as palavras
pintam o retrato.
o rosto e os olhos,
as cores, meu tesouro.

lindo o afago
que põem
na minha língua

tem sabor,
frutas e verdadeiros pratos
de cozinheiras
analfabetas

as frases
de uma senhora
já tocaram meu rosto
de tão carinho.

espeta-me
outra conversa,
o destemido
com fundo colorido.

esta multidão
que empolga
na sala de estar
não foge.

sinto o volume
a lógica

um a um
estreitos
cabem rentes
na boca.

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