sexta-feira, 23 de março de 2012

Selva

A selva vive longe do meu abraço
e da minha vista entregue ao mar...

só resvala em mim,
como se fosse também caseira.

sei das assombrações nos caminhos
do chão ao cume das árvores altas

das lendas dentro dos rios
que habitam as margens largas

Imagino que a gente trabalhadeira
vista-se de seiva e folhas
penduradas nas algibeiras.

Mas é só isso...

sei tão pouco que não ouso falar
em nome das corredeiras,
ouço-as com a fome dos ventos
e das poucas palavras secas

as que me alcançam de lá
não têm forças quase,
teimosas de vir respirando,
querendo as bocas úmidas.

monto-as em frases
enternecido

mas os versos que consigo,
estes que trago comigo,
tem a calma de uma asa.
a selva protege urgências.

Lavro em pedra
indago em becos

Foi tempo em que a floresta
não precisava pedir nada. 

Esse some nos colos cobres
dá uma irritação...
A turma da festa comenta.

Nenhum comentário:

 
;