quinta-feira, 29 de março de 2012

Ócio, por que não?


A vibração do carro combina bem com a música no rádio e eu relaxo no banco. Chego em casa rápido, esparramo o corpo sobre a cama, deixo vir a calma que me conduzirá ao fim de semana. A janela aberta lembra que a chuva se prepara lá no alto, existe um prazer em ficar calado, à espera do dilúvio. Estou seguro no meu lar, nenhuma dor, pouca expectativa. O mundo ganha um contorno cinza de nuvens e o ócio não me preocupa.

Parece coisa de monge, não é? Ficar parado, contemplando o nada... Quem consegue não faz outra coisa, só sabe fazer isso: joga-se no sofá contra as almofadas, com aquele olhar de quem busca uma iluminação divina. Como irrita! Mesmo que chova torrencialmente e não exista motivo algum para outra atividade.

Vou fazer a defesa. Tem gente muito boa estudando os efeitos benéficos do ócio para a saúde. Sabe aquele papo de que o trabalho dignifica o homem? Pois é, estão querendo provar o contrário. É o tempo que se passa sem fazer nada que define quem se é. A história das idéias está cheia de exemplos.

Há quem pire se não ocupa todo o tempo livre. Começa a caminhar de um lado a outro em casa, em crise de abstinência, praticamente um ser que assusta. A simples curtição de não fazer nada está fora de questão, necessita sair, gastar, o shopping brilha, o dinheiro some.

Equilibrar as duas formas de agir é difícil. Questão de talento. Que tal uma conversa franca, sem subterfúgios? Esqueça as palavras duras, não é assunto fácil. Tem a ver com temperamento. Normalmente tememos as horas que passam lentamente porque nos lembram de trabalho, de problema. Pode não ser o caso, dê espaço ao ócio. Tem quem já o chame de criativo.

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