sábado, 21 de janeiro de 2012

Louco

quando buscava algo
conseguiu dinheiro;
como se fosse o prêmio
por dezenas de abusos

as tochas alertas sobre as páginas
pingaram cera nas orelhas;
não ouviu mais nada: nem o canto
de um nem do pássaro,
ouviu o pneu do carro
acelerado sobre os asfaltos imantados;
não soube do pranto da musa
que no obelisco homenageava heróis;

Pouco ainda sabia sobre ela,
talvez a cor dos lençóis na cama
combatendo o farol dos olhos
imitando a claridade da manhã;

pereceu a imagem do incauto louco
que cobrava todos os dias o vagar das vontades
forjadas aos dezoito anos;
aquela voz impressionável que seios buscavam sedentos.

nas curvas, nos telhados
nos átrios

o bardo não seduz mais a musa,
os dedos se aleijados
outrora fariam música

Que trajetória! O topo não é discreto
é seco de lágrimas.
pode assistir o mundo, percorrer uma parte dele
e chorar, se quiser...

o cartaz não brilha:
apenas demonstra o que deixou pra trás.
Vai cercar os dedos de precauções,
terá cuidado no casamento.

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