quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Desapego

a beleza das palavras com que brindávamos
ao corpo impressionou-me aos vinte anos;
demorei-me e essa beleza entranhada na carne
diluiu os males das lendas
então contadas sobre a natureza do tempo.

não eram mais do que sussurros
perpetrados pelos mais velhos;
imitavam resmungos.

Hoje eu já não vejo mais meus vinte
como oásis de belos fogos hipnóticos.

Cobram-me esta passagem,
o esteio longo,
diadema sobre a testa.

Não quero pagar preços terríveis
para, enfim, compará-los
com meus bolsos.

Por que tão sonoros?
irascíveis
custam uma eternidade

Percebê-los é já depositar moedas
nos malditos cinzeiros
que medo!

Uma palavra não fenece
com seus apelos e estrondos:
- sobrevivi
Eis o aterro.
o casaco frio.

os fogos de ano-novo
sempre contam essa vantagem.

Meu chão é gasto dessas tramas e cordéis.
Pratiquei quebradeiras.

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