quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O orgulho precisa funcionar

Os anos trouxeram alívios
quando tomei parte do mundo;
trouxeram também o sol, o ar
e mais umas coisas boas
que antes queimavam ao toque
como chamas honestas.

Passeei por edifícios
e criei vícios
(a vontade deles veio profunda)
depois que ele partiu.

Calhava se encostar, interromper
a labutosa rotina que migrou para meus passos,
e nada vinha, o canto errado comigo.

Pulmões sem força
do abrigo coração amigo.
se foi velha folha, fora a árvore e o vento

Agora que a vida foi traçada,
uma reta que não ousa nome,
o corpo sente a dor
deveras, sem sombras.

Não sei o que é esta dor
vem forte, vem anos, vem indomada
descontente.

Desentendo minhas obras diante dela
como bebê de um sentimento.

As imagens somem,
fica a parábola mal feita
seu poder, o personagem perfeito.
embriagado e estreito.

A dor me desafia
e traz contas vazias.
Há quase nenhum sentido em cultivá-la ardendo.
quer meu presente, dói beijo
entronizada no peito.

Não sou esqueleto

Se fosse jovem
seria fácil caminhar sem tais dias pra cuidar!
sem bolsos envenenados
não veria a mudança inevitável. Que nem agora, quando feroz de pernas orgulhosas
e quadril com medo.
Ela se transformará? A dor
é sim, tudo será cuidado
as saudades e raivas e dores. As amargas.
E terão lugar no leito... obrigatórias
cada vez mais raras mas fortes lanças
espetadas no queixo baixo.

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