quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

As coisas

As coisas não contam nada,
são simplesmente, são -
disse com razão um poeta.

Vão de um lado a outro
como pesos táteis,
conforme nossas vontades.
Não há nada que eu diga,
improvável, finito
que lhes mude essa condição.

Contudo, as coisas estranho
as descrevo,
se tornam íntimas.

Daí, muitas coisas, muitas mesmo,
carregam histórias
e essas, se tenho ouvidos, têm falas.

Exemplo: cerveja na televisão
fala da mulher gostosa;
já nas minhas mãos
narra minha boca... palavra.

o carro na televisão
nos conta de um homem seguro;
para meus olhos
tagarela
que andará o mundo.

o café posto à mesa
me lembra da família
sem a menor sombra,
toda luz, sem briga.

São histórias,
é o banal.
Não é como dizer que as coisas somente são,
eu lamento,
pelejo em outro patamar
longe dos campos
e das flores,
dos riachos verdes;

não tenho outra emoção
que enxergar essas histórias
e dou-lhes outros sentidos,
para que se tornem um pouquinho mais verdadeiras,
ainda que eu esteja longe
da valentíssima culpa do escriba, 
do mestre tão preciso.

Nenhum comentário:

 
;