segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A janela e a aspereza noturna

Paro querendo
retornar à mágoa.
Digo sem cheiro
porque não disse ontem,
quando respirava
e meus dentes juntos.

Mas sou uma só palavra,
só e meu nome...
desconto a memória.

Gravo as palavras escritas
que tem sobrenome,
arrisco gritá-las;
ouso e não as repito.

Sou inocentezinho.
Não carrego pedras
para atirar,
nem ostento beijos
que a alegria admira.
Estou na multidão, compenso.

O que relevo me traz.
tenho na mira o que meus dias
contam ao jornaleiro, ao pão.

As bandejas ainda ardem nas mãos.
O meu reclame.

O silêncio, meu limite.
A mesa, a fome.
Sem eles, estaria deitado?

Abraço tanto a paisagem, paisagem
que a janela, mera, desconfia:
raiam centenas no horizonte.

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