domingo, 18 de dezembro de 2011

Resenha de "Menino de engenho", de José Lins do Rêgo.

Há muito queria me embrenhar pela leitura de José Lins do Rêgo. Foi por este que escolhi começar, talvez sua obra de maior renome: "Menino de engenho", Editora José Olympio, 2007, 158 páginas. Publicado como seu livro de estréia em 1932, em edição custeada pelo autor, este romance nos conta da infância de Carlinhos, levado ao Engenho de seu avô para ser criado, depois de uma tragédia familiar que o deixou orfão de mãe e carente do pai doente. Pois é na vastidão das terras de seu avô que o moleque se larga em brincadeiras, passeios e banhos de rio. Carlinhos pouco sabe desses prados, mas devagar vai se assenhorando do território, ganha intimidade com seus moradores, os colegas, as negras, os trabalhadores nas plantações de cana. Adquirimos saber com sua aprendizagem, saber do dia-a-dia do eito, das justiças proferidas pelo senhor mandatário, o coronel, seu avô; tomamos conhecimento da enchente do rio, que traz desgraças; da mansidão dos trabalhadores, praticamente servos do coronel; da simplicidade infantil do garoto diante das farras dos homens e mulheres; do seu próprio gozo desses prazeres. Carlinhos segue crescendo, o tempo companheiro ensinando-lhe as virtudes e vícios da terra. Ouve as lendas de criaturas assustadoras a rondar a noite e os causos afamados na boca dos mais velhos. Aprende o trato com os animais, a satisfação de uma vivência inesquecível, em contato com a natureza.

Até que chega o momento: lamenta o garoto de já doze anos no vagão de trem a caminho do internato. "Colégio amansa menino", dizem as vozes da casa grande. Já é hora da civilização mostrar suas garras. Se vai o cenário da querida infância, carregada no corpo repleto de horizontes antes infinitos.

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