quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Resenha de "Tenda dos Milagres", de Jorge Amado

Das 292 páginas de "Tenda dos Milagres", Jorge Amado, 2008, Companhia das Letras, levanta-se um daqueles personagens inesquecíveis de qualquer biblioteca. Pedro Archanjo Ojuobá, os olhos de Xangô, carrega as posses do povo da Bahia, seus terreiros, afoxés, as rodas de capoeira. Vive intensamente junto da gente pobre da cidade de Salvador, dorme com as raparigas, conversa com os bêbados, instrui-se, desafia os intelectuais das faculdades, adeptos das teorias mais racistas. Teoria por teoria, Archanjo também tem a sua, calcada profundamente no viver do povo. Faz a defesa da miscigenação, defende-a como a solução dos problemas raciais brasileiros, transforma-a em seu grande legado. É sua obra de escritor que um famoso pensador norte-americano vem exaltar no Brasil, atiçando as vaidades de toda a sociedade baiana. Pedro Archanjo? Quem é Pedro Archanjo? Jorge Amado responde; com a mastria de escritor maduro, compõe aquele que seria seu personagem favorito, um libertário, em grande parte inspirado em figuras reais da época.

Neste romance, Amado aborda principalmente a perseguição contra os negros na primeira metade do século XX, contra os terreiros e religiões africanas, contra tudo que no negro é inventividade, criatividade e alegria. Publicada pela primeira vez em 1969, "Tenda dos Milagres" foi adaptada para tevê e exibida pela Rede Globo em 1985.        

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