segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Permissão pra dirigir

Abriu-se a manhã como ar saudável
na janela de um carro de verão;

adiante os caminhantes molhavam as horas
tirando-lhes a pressa da sexta-feira;

na lembrança imediata o pesadelo,
rumor de uma já antiga cantilena
apagada na mesa do café.

Contava as marchas perpetradas
enquanto uma onda de prazer reluzia
desde seus olhos até o painel;
aquilo era notícia:
um passeio qualquer,
um rumo debaixo do sol como animal.

Espreguiçava asneiras.
debruçava pés descalços.

Enquanto o mar gritava seu nome.
Gritava não, espancava a areia
e desenhava tatuagens;

o que não era dele
vivia submerso,
talvez perfumes o assaltassem.

Algum lugar, esperava, esperava por ele:
além dos dormitórios e das leis puras
e dos quebrantos mortais.

Daria largos saltos
caso o encontrasse naquela manhã ainda;
acenderia velas e outros incensos,
a produção de um mês, mergulharia em louças
em nome da visão que assediava.

Uma paisagem dourada,
aquela que os costumes delatavam
ser o mar de outros príncipes;
ser o ar de outros reis,
presidentes, empresários e juízes.

Arregaçava o sorriso como se lhe bastasse.

Nas mãos, a nova velha invenção
A novidade, mãe simplória da notícia.

o riso semente. A passagem.
Seguir embora sem desesperos.

Ainda por cima cutucava passado,
algo talvez que lhe dissesse
o próximo capítulo de toda a história.

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