segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Cão

O cão vem à procura,
aflito com a solidão,
por um afago de mão
que lhe encanta sempre;

Sabe os horários da casa
mas sua alma não faz milagre.
A solução que conhece
o devaneio da cabeça,
é distinção sua entre todos os cães.
Ele se ergue do peito com dono.

Nos ares da tarde
sua ternura de afagos
desdobra-se em movimentos
como se a função fosse esta:
felicitar-me sem palavras.
A palavra de quem é?
seria das bodas amante
se uma houvesse à tarde à porta.

O bicho
se refere em afagos
ao ser livre. Das contas e perigos. prejuízo.

Suspeito de suas ironias
e de seu focinho que é sorriso.
Seu pêlo tocado me lembra peles.
Nelas deságuo...

Sai pra lá ser canino
que te rejeito em nome delas,
dos soçobrados juízos.

Sei que retornas à noite
quando suas patas alvas
e cismas de querer
dominarão meu coração
impelindo-me a sua encantada rua.

Lá te fazes mais cão ainda;
junto dos postes e nuas
suas melindrosas ordens de posses profundas.

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