domingo, 6 de novembro de 2011

A casa das memórias

É forjar outros momentos, sentiu.

Põe de lado os sorrisos
calculados atrás de boa vontade;
quer cumplicidade
e visita 

o remédio na escandalosa casa das memórias
urdido em gavetas antigas;

Depois daquelas portas o idílio
descansa sobre almofadas de cetim,
(daí o escândalo)
flutua em movimento destacado
subindo escadas:

o tempo.

Encontra a mesa. a janta.
posta em talheres
e pratos de vidro.
sua imagem é cor de rosas
atravessadas pelo sol das clarabóias.

Parte do sonho permeia as camas
entregues às dependências;
esconde vilipêndios.

tenta.

Trazer pra fora alguma coisa boa,
mas há lassidão nas paredes;
as cadeiras e as impressões.

Essas (as paredes) perdem tamanho
e alcançam seu corpo,
o que foi gravado.

Há um sábio em cada lugar
falando
mas não é preciso. Vestidos,
selos antiquados, realçam as paradas.

As botas calçadas largam pegadas delicadas

a quantas anda o pó
apenas, conclui. Mandam-se os olhos.

Ao sair, porque era preciso!, não leva nada.
quase nada. algumas intenções
e conclusões passageiras. Viu:
o preço domesticado dos estupendos pães no supermercado.

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