quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Biblioteca

A falta dos murmúrios,
do coração bem-vindo,
das águas em pele
permanece, inquieta;

Ouvia a voz determinante
e não conhecia ausência.
(estavam todos em seus lugares)

Agora que os anos sorriem
não sabe como! intui
colabora com as páginas
de uma biblioteca.
Entrega-se a ela.

Tenta não sentir
argumenta com a saudade
pra ela vir pequenina
não se vir de enchente.

Esse algoz é um manto
aberto sobre as posses;
segue acumulando espantado
com seus dilemas.

É repentinamente
água adentro
e simula foge

Passeia brevemente
no ar em que pisa,
não flutua. Pisa.

Está acostumado?
A biblioteca lê sua arcada,
vive, gira...
abre umas capas
que os livros se divertem
com sua fisionomia cansada;

quer histórias do mundo
senta, ouve
o veludo

Sem breve esquecer
o dilúvio que lhe roubou
o fôlego das páginas.

Expira sem sono;
as estantes do mundo apelam
suas capas redimidas
do mundo fora sem passagens.

Há poeira em certos volumes
que sacodem ao toque
como se quisessem tê-lo
vê-lo o retrato.

Há um retrato.
o mesmo retrato.
Um só retrato.

2 comentários:

Marcelo Oliveira disse...

Curti demais este poema. Ficou bacana demais este "desfolhar" do que se vive e o que se sente, como se fosse um passeio por uma biblioteca.

Parabéns, Marco!!!

Marcelo

Anônimo disse...

Valeu, Marcelo. Bom que o poema vai, vai indo por aí. Abraço.
Marco
@MarcoAMartire

 
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