domingo, 30 de outubro de 2011

A estátua

Pra direita... estátua
balança rente
a fios de alta tensão.

Sou guiado por Deus, um comenta
no cotidiano...
na cama sou demônio.

As multidões esperam
no frêmito do tráfego:
como céu o acontecimento.

A estátua se ergue
a espada é mão firme
desafia toda a gente:

Cega! Ela é cega!

Que senhora foram arrumar
pra defender o povo,
ela é dura com o zé-ninguém,
precisa de amor?

As cordas esticam
pousa em equilíbrio
na patamar basílico.

Quero ver defender o do bem, diziam.

Sopra o vento mas jaz segura
cercada de gente.
Exaltam a cor branca

Lê-se algo em volta.
E a arma dos seus heróis:
o martelo
sobre o púlpito.

Acima de nós
como o trovão
a decisão.
O medo.

Que ignorante dá-se conta
de sua sabedoria tomada
dos livros estudados?

É só a homenagem.

A fila caminha
há gente a seus pés
trazem-lhe corpos vivos
querendo seu dilúvio as palavras...

Uma corte apresenta
o séquito ordenado,
suas insígnias ricas.
E assobios
mas ela não é gostosa
de peitos rijos e bunda empinada.

Os heróis da estátua
brilhante cegam
refletindo neles o poder do sol

Parecem seus heróis
um instante avermelhado.

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