domingo, 15 de agosto de 2010

Vibração

O estranhamento toma a jornada
e o mistério ainda persiste:
o que vale esta janela para o dia de amanhã?
Vale um certo desconforto, não é mesmo?
A gente toda foi feita pra isso:
representar essa janela de metal
vibrando de frio desde a aurora.
Eu passo através dela
e vejo o vôo do pássaro
que teima em me rir.
Seu ninho está próximo,
ele teima, eu teimo em observá-lo.
Seu caminho para a longa trajetória
que ele chama de lar é um alimento,
uma carga nova de sustento
que o faz vibrar toda semana.
Aquela gente toda além da minha janela
vibra também, lá se foi o frio,
eu rio e me faço poeta.

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