sábado, 21 de agosto de 2010

Memória

Senti um peso deixar-me os ombros
e outra época veio me aplacar,
dos tempos de polícia e ladrão
nas tardes nuas de sábado.
O aroma de balas e doces
no armazém das galeras,
que mais tarde se incendiou
e sua fachada em queda,
tal qual coqueiro podre que tomba sem frutos
valeu o fim de uma era.
Não havia fronteiras entre polícia e ladrão
e homem e menino não existem agora.
Não há mais o falar daqueles armazéns
a não ser a doce memória.
Não é mais só lembrança, é memória.
Porque se foi o peso, porque de outra época,
virou memória.

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