quinta-feira, 15 de julho de 2010

Céu diurno

Há qualquer coisa livre
no pássaro,
eu que lembro de suas cores
a varrer o céu criando
trajetórias.
Mas não há mais eu
a ver seus vôos,
só olhos descrevendo
os riscos que ele toma.
Não está mais só,
uma doce legião o alimenta
com sua bela e boa vontade.
Mas para onde vai se
não tenta desembarcar
de minha janela?
Existe a chuva e o pássaro some,
quiçá em quais telhados
também se alimenta.
Por onde vai também terá
as mesmas cores que umas linhas
se desculpam em não conceder?
Não será o mesmo pássaro.
Será outro e terá a mesma fome.
Sua esquiva será a fome.
Ele será da cor da fome que há de ter.

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