domingo, 15 de novembro de 2009

Percepção

Abro a casa e a porta
me desdobra em poeta.
Já foi da praia, narra a vizinha.
Mas aqui é sol, ali é chuva,
tem quem venta, abre caminhos.
Olho de costas pro céu claro,
deito blindado em espantosa praia de domingo.
Eu conto deste tempo?
Eu que o quero lento.
Pouco entendo.
O destino é largo, a vereda estreita.
Há crescentes verdes na rabeira.
Percebe um calor na face?
Fumaça... algoz ou não...
Procuro o tempo na cidade
e as gentilezas me procuram:
ter ouro na mão,
sorvetes que brilham.
A vida que nos cerca sustenta o homem, redigo.
É o instante devagar e incrível
em que uma história se aproxima.

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